sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Aparecida: das redes ao coração do povo brasileiro

"Te coroamos, Ó Mãe, nossa Rainha!"

Desde 1717, quanta coisa mudou. Não há mais tantas estradas poeirentas, casinhas de sapé, tropas de romarias. Quanta coisa mudou. Mas o cuidado da Senhora Aparecida continua o mesmo. E o nosso amor simples por ela, se manifesta desde o gesto concreto em servi-La até aos quilômetros percorridos ao Santuário Nacional nos mais diversos dias do ano.
Pela imensidão de graças e bênçãos recebidas e testemunhadas por milhões de devotos, tudo o que fizermos para homenageá-la será insuficiente para manifestar o quanto a amamos e confiamos em sua intercessão.
Eis que o grande momento de celebrar nossa Padroeira chegou. Há 300 anos ela surgia das águas para fazer morada no coração do povo brasileiro; cheia de graça divina, há três séculos ela vinha trazendo do céu o conforto da fé para os que dele necessitam. Imaculada, sua imagem foi restaurada  e nos mostra que sem Cristo a Igreja não tem vida; negra e pequenina, a Aparecida na rede dos pescadores mostrou que para Deus não existem escravos.
No ano do Tricentenário, celebramos e agradecemos à Mãe Aparecida com várias homenagens especiais. Na Paróquia/Santuário Nossa Senhora de Nazaré não se fez diferente. Nove dias antecedendo o dia 12, uma novena foi rezada na igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde fiéis se puseram a celebrar o milagre que veio das águas e inunda até hoje os nossos corações de alegria.
Salve dia 12, dia festivo para o povo brasileiro! Com celebração da Santa Missa às 8h, 10h30 e às 18h30 com a procissão e missa de encerramento, padre Rondineli nos levou a meditar sobre o milagre ocorrido na vida dos três pescadores, no Rio Paraíba do Sul. Mesmo encontrando a imagem em pedaços, eles, com piedoso respeito, a recolheram.
Entregue às mãos de uma restauradora que , mesmo católica, já havia perdido a fé, outro milagre se fez. Aquela que restaurou a pequenina e negra imagem, teve sua fé restaurada e nos ensina uma grande lição: Não importa em quantos pedaços estamos divididos, Maria sempre nos restaura.
A celebração das 10h30 contou com a participação das crianças, comemorando também o dia delas. Como forma de agradecer à  Mãezinha do céu, uma singela homenagem representando o acontecido em 12 de outubro de 1717 foi encenada.
Desde a surpresa recebida na rede de arrasto pelos três pescadores, passando pelo momento da restauração até uma simples coroação. Tudo feito com muito amor e carinho.
Às 18h30, acompanhados pelo som da banda municipal, os fiéis se puseram em procissão com a venerada imagem da Senhora Conceição Aparecida. Ao término, adentrou-se ao Santuário para a última celebração do dia, a qual foi abrilhantada pela união de instrumentistas e cantores das bandas e corais na paróquia.
Padre Rondineli, em sua última homilia do dia, chamou atenção para os tempos difíceis que o Brasil vive. A confiança do povo brasileiro vem sendo traída de várias maneiras, porém a Senhora Aparecida jamais decepciona aqueles que a Ela recorrem. Encontrada nas águas turvas e barrentas do Paraíba, ela mostra aos filhos a possibilidade de apresentar Jesus às águas de suas vidas, sejam elas cristalinas ou sujas, calmas ou tempestuosas, sob sua intercessão, o milagre da transformação sempre acontece no tempo de Deus.
A devoção a Nossa Senhora se faz desde a imagem no altarzinho de casa, no terço, na estampa da camisa, no próprio nome, até os grandes milagres intercedidos.O espaço sagrado que Ela ocupa em nossos corações é a resposta que Deus se manifesta em nós e por nós, bem como diz a Oração Jubilar: " Assim, daquelas redes, passastes para o coração e a vida de milhões de outros filhos e filhas vosso".
Em seus três séculos de história, temos uma bela e grande certeza: Fomos acolhidos por Deus, por seu amor e por meio de sua filha predileta, Nossa Senhora, Mãe de Jesus, Aparecida entre as águas do formoso Rio Paraíba do Sul.

"Abençoai-nos , o celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-nos em nossa fraqueza, a fim de que servindo- vos fielmente nesta vida, possamos louvar-vos, amar-vos e dar-vos graça no céu, por toda eternidade. Assim seja!"


Matéria e Fotos: Carmen Nogueira e Cássia Pereira

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Senhora Aparecida: das águas aos 300 anos de bençãos do céu

Nos últimos 9 dias vimos uma procissão de devotos, filhos de Deus e da Mãe Aparecida, em intensa manifestação de amor e gratidão.
Todos os dias ali estavam, perseverantes,para ofertar o melhor de si juntamente com o testemunho de que vale muito a pena ser discípulo do Senhor, sob o olhar materno da Mãe Aparecida.
Abrigados na Igreja do Rosário, todos os dias os fiéis recebiam solenemente, carregada por mãos simples, a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Na presença da Mãe a Eucaristia foi celebrada e vivida, deixando no coração de cada um marcas, que o tempo não poderá mais apagar.
Na verdade,ali se viu lições de amor, de acolhimento e restauração vindas das águas, em forma de Mãe para, ficar por longos seculos junto aos filhos.
Tais lições foram aprendidas e concretizadas no partilhar perseverante  dos alimentos e no gesto tão simples e carinhoso de oferecer flores.
Ao final de tão intensa preparação, na véspera do grande dia, os corações já estavam repletos de graças e confiança. Não era possível dizer mais nada. Assim o silêncio tomou conta, as lagrimas romperam dos olhos, ali aos pés dos altar, padre e assembleia ofertaram o coração, a vida de um modo impossível de descrever.
Das redes dos pescadores aos 300 anos, uma grande história de amor, um ininterrupto hino de louvor!
Matéria- Carmen Nogueira
Fotos- Luan Braz
 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Heitor Augusto, o vinhateiro fiel

Paróquia celebra o aniversário de morte do baluarte da fé nazarenense, Cônego Heitor
Já bem canta o hino composto por nazarenenses fiéis Nalzira Resgala e Antônio de Souza : Partiu para o alto (...) deixou na terra a saudade. São inúmeras as pessoas que recordam até hoje os feitos de Heitor Augusto, um ser humano que não foi imortal, mas com seus gestos de santidade alcançou o feito de se tornar inesquecível. Alguns que ainda vivem relatam o jeito único que puderam ver fisicamente na pessoa do Cônego Heitor, outros, a maioria, só ouviu falar desse santo homem, mas são muitos anciãos e criancinhas que guardam um carinho enorme pela virtuosa alma dessa grande ser cujo exemplo de santidade já se perpetuou pela eternidade. 
Transcorridos 62 anos do fatídico dia 8 de Outubro de 1955 em que as portas do céu se abriram para o Cônego Heitor, a Paróquia/Santuário Nossa Senhora de Nazaré celebra com o júbilo devido o aniversário de morte do reverendíssimo e deixa plantado no coração dos viventes a semente de seguir os seus passos. 
Desde o dia 29 de Setembro, dezenas de devotos se reúnem na capela do cemitério paroquial para rezarem o santo terço em sufrágio da alma do Cônego Heitor. Com as necessárias aprovações eclesiásticas, uma oração pela sua virtuosa alma é proferida por todos que a ele rogam intercessão e que muitos já sabem de cor. Essa oração antecedeu a bênção final da primeira celebração da Eucaristia do domingo (8) dedicado à memória de Heitor Augusto.
Devotos de Nazareno e romeiros de cidades vizinhas lotaram o Santuário da Virgem de Nazaré para a Santa Missa das 8h presidida pelo pároco Padre Rondineli. O busto do Cônego Heitor teve lugar de destaque no altar-mór da Igreja, muito perto da Virgem Maria, Senhora de Nazaré que foi fiel companheira do homem santo. Como diz a oração à sua virtuosa alma : "Os seus devotos são os devotos da Virgem de Nazaré". Cônego Heitor foi um dos principais responsáveis para que a devoção à Senhora de Nazaré se espalhasse por esse abençoado torrão.
Os frutos do testemunho de vida do reverendíssimo devoto de Maria são colhidos no dia de hoje, vede o Jubileu que atrai inúmeros devotos que a Paróquia celebrou no mês de Setembro, quantos são os Heitor's, os Augusto's que essa terra tem. Isso foi ressaltado por Padre Onaldo Junior na homilia da Missa das 10h30min que o mesmo concelebrou. 
Filho de Nazareno e com o amor pelo Cônego Heitor presente no DNA, Padre Onaldo participou de forma afetiva da Santa Missa solene às 10h30 presidida também pelo pároco Rondineli Cristino. Mais uma vez o Santuário recebeu a presença de muita gente, principalmente das cidades vizinhas que vieram agradecer os milagres operados por Deus na vida de muitos pela intercessão da virtuosa alma daquele que, por essas terras, já é tido como santo.
A liturgia dominical ressaltava a vinha de Deus e aqueles que dela cuidam, Cônego Heitor foi um exemplo de vinhateiro que pastoreou suas ovelhas, educou e catequizou seu rebanho e fez com que o Reino de Deus fosse propagado na terra através de suas palavras e seus gestos.
A proximidade com Deus e intimidade com Nossa Senhora não impediram que Heitor Augusto sofresse perseguições e provações aqui na terra, nessa mesma cidade que hoje o venera. Mas sua fé inabalável, sua esperança e confiança e seu inesgotável desejo de caridade fizeram com que ele fosse perseverante em meio a todas elas.
Em um cortejo que misturava o fato fúnebre do dia e a ação de graças, os devotos seguiram rumo ao cemitério, onde em frente à sepultura onde jaz Cônego Heitor foi feita a encomendação de sua virtuosa alma. Diante do túmulo passam muitas pessoas que trazem consigo siringa, agulha, algodão e fé e saem de lá com uma água que milagrosamente brota do interior da sepultura e fortifica a todos que dela fazem uso. 
Ainda que Cônego Heitor não é oficialmente chamado de santo pela Igreja Católica e não tem a honra do altares, no coração dos homens já há essa certeza que guia e nutre a todos nesses caminhos trilhados sob a inspiração do Evangelho que ele pregou que nem o tempo e nem relativismo conseguiram apagar. 

Matéria: Rodrigo Augusto.
Fotos: Carmen Nogueira, Rodrigo Augusto.