quinta-feira, 25 de junho de 2015

Dia maior em honra à Nossa Senhora do Rosário - Virgem Fecunda do Amor de Deus

"Portanto, se alguém está em Cristo é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo." (2 Cor 5, 17)

            Neste último domingo (21), a Paróquia de Nazareno organizou celebrações em honra à Nossa Senhora do Rosário. Às 16h, o Cortejo Imperial destacou-se como evento atípico de Glorificação da Virgem Santa, a qual sendo Rainha não deixava de ser Mãe, esplendidamente trajada e ornada de flores com o Menino Jesus em seus braços.




Com o término do Cortejo e das graças rendidas àquela que se entregou aos desígnios de Deus por amor a todos os seus irmãos e agora filhos, Nossa Senhora do Rosário seguiu posteriormente em procissão, acompanhada pelos mártires e santos da comunidade católica nazarenense. Uma multidão partiu, às 17h, da Igreja que abriga a Mãezinha e percorreu com súplicas, orações e agradecimentos o trajeto que trazia inscrito no chão de asfalto palavras de amor e misericórdia dirigidas à Virgem do Rosário. O cenário não poderia ser outro: inúmeros fiéis olhando profundamente para dentro de si mesmos ao passo em que refletiam sobre o simbolismo de Nossa Senhora a cuidar em seu colo de quem viria a ser a grande salvação da humanidade.





Quem se deixava voltar alguns instantes para trás, enxergava ao longe o rebanho infindável dos Filhos de Deus, tão absorvidos e compenetrados por aquela memória sagrada de Maria Santíssima e por todos os significados que vieram à tona no seu aniversário milenar. Cada devoto em procissão parecia representar uma conta do Rosário da Virgem e todos formavam em conjunto a mais autêntica e fervorosa prece.


No findar da belíssima caminhada de Fé, adentrou na reformada e renovada Casa da Mãe do Rosário, o Reverendíssimo Pe. Rondineli Cristino com os acólitos, ministros e demais membros auxiliares da Santa Missa que teria início logo a seguir. No ambiente da Igreja que agora respirava o fôlego de novas estruturas e detalhes arquitetônicos, passado e presente se mesclavam para direcionar um futuro que somente será possível com respeito e amor aos diversos setores da sociedade contemporânea, a exemplo do que fizeram em outros tempos Jesus, Maria, seu castíssimo esposo José e tantos outros seres humanos prodigiosos que dedicaram suas vidas a praticar o bem na Terra, conforme os mandamentos do Senhor.




Para dialogar com a devoção latente no peito de cada cristão, Pe. Rondineli buscou no Evangelho de Marcos uma gama de metáforas que representam a importância da Fé e do Temor a Deus como valores indissolúveis que nos guardam de quaisquer caminhos tortuosos ou tempestades inesperadas. Jesus pede aos discípulos que atravessem para a outra margem, porém o mar bravio e as fortes tempestades despertam o medo da morte e do desconhecido que estaria por vir. Os discípulos clamam a Jesus que descansa tranquilamente em um travesseiro quando tudo acontece. As águas se acalmam com a intervenção divina do Senhor e os discípulos reafirmam a grandeza do seu Mestre enquanto Jesus lamenta a falta de Fé dos seus seguidores.



Desse modo, Pe. Rondineli salienta que, como discípulos modernos de Cristo Ressuscitado, precisamos sempre estar dispostos a nos dirigir para a outra margem, mesmo em dificuldades, para encontrar e acolher muitos irmãos que vivem nas trevas do pecado e na cegueira de uma vida sem sentido. O que apaga a distância entre o nosso medo e o nosso Temor é a capacidade que temos de projetar nossa vida a limites maiores do que aqueles que são impostos pelo mundo e pelos sistemas contraditórios dos quais fazemos parte. Para o Senhor, não há sistemas, mas antes e acima de tudo redes de contato entre corações restaurados e a margem de outros que ainda estão feridos e dependem tanto de nossa corajosa travessia.




Entretanto, as ovelhas do Bom Pastor se deixam muitas vezes seduzir pelos lobos da maldade e do egoísmo, transpondo de maneira libertina e inconsequente os limites e princípios da ética cristã que regem a organização e os vínculos pacíficos do Reino de Deus na humanidade. Em um mundo multifacetado, constituído por ideais e concepções diversas, a defesa de direitos e a luta por igualdade não possui expressividade real se não entende as suas fronteiras de discurso e de respeito para com as demais instituições e formas de pensamento. Por isso, o Senhor nos lança, como lançou a Jó no meio da tempestade, esta pergunta definitiva e definidora: "Quem fechou o mar com portas, quando ele jorrou com ímpeto do seio materno, quando eu lhe dava das nuvens por vestes e névoas espessas por faixas; quando marquei seus limites e coloquei portas e trancas, e disse: 'Até aqui chegarás e não além; aqui cessa a arrogância de tuas ondas?'" (Jó 38, 8-11). Roguemos ao Senhor para que sejamos exclusivamente guiados por suas ondas, longe de sermos postos à deriva pelas tempestades falseantes e impetuosas do pecado e da morte.


No discorrer dessas reflexões, cabe a certeza do que diz São Paulo em sua carta aos Coríntios: quando um único homem morreu por todos, ele venceu a morte e ninguém mais percorrerá suas veredas, contanto que siga e cumpra os santos mandamentos. O amor incondicional que move um ser humano a martirizar-se em prol da salvação de seus irmãos quebra as amarras de qualquer ambição que não seja viver para os propósitos de Deus: "De fato, Cristo morreu por todos, para que os vivos não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. [...] Portanto, se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo." (2Cor 5, 15.17) Urgente viver para Cristo e mais ainda compreender que tudo é novo, mas nem por isso somos menos essenciais, menos dependentes desse Amor em Plenitude, em Graça, em Nós.




Pós-comunhão, todos os amados irmãos e irmãos estavam devidamente alimentados na alma pelo Corpo e Sangue de Cristo. O Reverendíssimo Pe. Rondineli, os ministros e acólitos, juntamente com o Povo de Deus que se estendia pelo tradicional novo templo de Nossa Senhora do Rosário, contemplaram admirados a doçura das crianças durante a coroação de Nossa Virgem Abençoada. 


Em uma visão mais profunda e sensível daquela cena que se emoldurava aos olhos dos fiéis, era possível imaginar os Anjos do Céu vagando ao redor das crianças para depois voltar a habitar dentro delas. O clima era de festa por Nossa Senhora e a Bênção Final do nosso sacerdote traduziu perfeitamente o fundamento de festas dessa grandeza: Alegria Plena em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!






Matéria - Guilherme Augusto
Fotos - Camen Nogueira, Luan Braz, Rodrigo Augusto  e Waldecy Junior

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